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PREFÁCIO DE "O JUIZ" 1a EDIÇÃO |
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Por BRUNO BUCCINI
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18 de outubro de 2008 |
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Reproduzo, aqui, o Prefácio de "O Juiz", 1a. Edição, 1965, livro de autoria de Edgard de Moura Bittencourt, assinado na época pelo editor, Bruno Buccini, relato obrigatório de um episódio que acabou marcando a trajetória do autor citado.
"O Autor e o Livro
Muito tempo antes da organização de nossa editora, vínhamos abordando o desembargador e professor Edgard de Moura Bittencourt para que assegurasse à futura empresa a publicação de seus trabalhos, a começar pela reedição de O Concubinato no Direito, obra substancial e completa sobre a Família Natural em vários de seus aspectos, esgotado há cerca de dois anos, e ainda a reedição da Instituição do júri, esgotada há muito mais tempo. Com esse propósito. mantínhamos com ele constantes entendimentos, mas víamos que a tarefa lhe seria árdua, quase impossível no momento, dada sua atividade como membro do Tribunal de Justiça de São Paulo, como professor de Direito tendo a seu cargo quatro turmas, como jornalista, pontual em suas crônicas, nas colunas de um dos mais prestigiosos jornais do País. Por isso perdemos a esperança de, em breve tempo, podermos contar com a sua colaboração.
Em junho do ano passado, a notícia da suspensão de seus direitos políticos, por ato do Governo da República, surpreendeu o público em geral e, especialmente, o meio jurídico e universitário, causando verdadeira perplexidade, como bem observou a Folha de São Paulo, em editorial publicado no dia seguinte ao da divulgação da inacreditável notícia:
"Com verdadeira perplexidade recebemos a notícia da suspensão dos direitos políticos do desembargador Edgard de Moura Bittencourt, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Não menor há de ter sido a surpresa de seus alunos, colegas e leitores.
É que há muitos anos o ilustre magistrado colabora neste jornal, publicando artigos de natureza jurídica, porém escritos numa linguagem que os leitores facilmente acompanham. Enfrentando temas modernos e profundos para os quais ele não raro apresenta pontos de vista originais, o desembargador revelou-se, desse modo, também um grande jornalista, empenhado em comunicar ao público os problemas do Direito.
Quem acompanhar nas coleções da Folha de São Paulo as colaborações do ilustre desembargador não encontrará nelas uma frase sequer que possa identificá-lo corno elemento subversivo. Nunca exorbitou os limites do jurídico, para tocar nos problemas políticos.
Autor de obras de grande mérito científico, tem ele uma longa carreira pública. Apesar de haver atingido o ápice dessa carreira, dentro da organização judiciária estadual, mantém a mesma força idealista dos que começam a desbravar os seus caminhos. E essa força ele a espraiou esplendidamente nos livros, escritos para os doutos, no jornal, escrito para todos, e de maneira muito especial no ensino, nesse difícil ensino jurídico que para muitos se transforma em arte de discursar, mas que é, para os que têm plena noção de sua responsabilidade, o grande sacerdócio da verdade, cujo objetivo não é doutrinar nem convencer, mas ensinar a procurar, na trama dos fatos e das idéias, o caminho que leve cada um de nós ao mais perfeito encontro com o que existe de mais alto e belo na pessoa humana, assim como em suas relações com a sociedade. Um grande juiz, um grande autor, um grande jornalista e um grande mestre."
(...)
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Por Edgard de Moura Bittencourt
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18 de outubro de 2008 |
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Texto publicado no livo "O Juiz", 1965.
"Não é fácil considerar o magistrado em função da atualidade ebulitiva das idéias, sem o risco de asserções sujeitas aos ataques que as facções do pensatuento contemporâneo armam a propósito de quase tudo. Risco menor, mas imediato e certo, está em enfrentar conceitos, muitos já firmados, sobre o juiz moderno, evoluído e arejado, com que o interesse particular constrói o elogio de uns poucos magistrados, para quem a justiça se mede pela teatralidade e pelo proselitismo, e que são incapazes da coragem de serem justos, quando, para tal, poderão parecer injustos.
Dantes, raros ensejos se apresentavam aos magistrados para exteriorizações desse teor e para outras, positivas e elevadas, mais adiante expostas. A pouca força jurisdicional, que se lhes outorgava, mantinha-os de um modo simplesmente estático na esfera do Poder Público e, por conseqüência. na própria sociedade. As leis, ainda que suas dúvidas demandassem substanciaimente a manifestação do Judiciário, encontravam sua maior área dc interpretação nas autoridades administrativas. De data não muito distante são aeisos eportarias aos juízes. extravagância de que ainda hoje órgãos superiores da Magistratura lançam mão para atentarem contra a autonomia de magistrados inferiores.
A estrutura científica do processo, ampliando o campo de ação do juiz, a começar pela direção da prova e decisão assentada no livre convencimento, colocando a verdade real acima da formal; a política espontânea de aproveitamento total dos valores, convocando também os .magistrados para o magistério, para a Imprensa e para os debates públicos:
a imprescindibilidade de elevar a ação do juiz, dada sua observação cotidiana de traumas e desajustes, à categoria de fonte informativa nas pesquisas sociológicas; a conveniência de ouvi-lo como se fosse a própria consciência da lei, sentindo suas fraquezas no presente para robustecerse no futuro; a compreensão dos juízes de que, por serem agentes do Estado, não estão à margem da coletividade, no ensejo de lhe sentir as angústias e de contribuírem para suprimir as opressões estranhas à Lei, ou contra a Lei, não permitindo que o verdadeiro espírito desta seja sacrificado pela malícia da invocação do texto. - tudo isso impõe novo plano para o magistrado na sociedade, dando-lhe não só o direito, corno também o dever, de levar em conta a evolução dos tempos, corn inevitáveis reflexos em sua missão. (...)
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Por Marcos de Moura Bittencourt e Azevedo
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18 de outubro de 2008 |
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No dia 2 de outubro passado celebramos, em família, o centenário do nascimento de Edgard de Moura Bittencourt, fazendo rezar uma missa na cidade de São Paulo; presentes alguns amigos e parentes próximos, tivemos uma cerimônia emotiva (embalada por não usuais acordes do neto roqueiro Rafael Bittencourt; lindo o arranjo de "Luar do sertão" ) e, ao som de "Tears in heaven", muitos de nós não contiveram as lágrimas, mesmo após passados quase 25 anos de sua morte. O Rafa que me perdoe, mas na trilha sonora do evento só faltou "Unforgettable", por razões óbvias.
A homenagem naquele dia se estendeu em cerimônia no Tribunal de Justiça de São Paulo que, finalmente, após quatro décadas, resgatou uma dívida histórica com os juízes injustamente punidos pelo Golpe Militar de 1964 (quem desejar ver a cobertura do evento, pode clicar no seguinte link: http://www.tj.sp.gov.br/noticias/News_View.aspx?Articleid=1489&Tipo=1 ).
Me permito agora transcrever a seguir as palavras que li naquela missa, bem como publicar aqui neste site, nesta ocasião, dois trechos de livros do homenageado, para quem quiser conhecê-lo um pouco mais ou, simplesmente, matar a saudade.
"Quando me propus a prestar esta homenagem ao meu avô pretendia falar apenas do homem de família, pai e avô carinhoso, amigo leal, de extraordinário senso de humor, festeiro e brincalhão, ele tinha o que hoje chamamos de carisma. Mas aí me dei conta de que tudo isso - e havia muito mais - não teria sido suficiente para torná-lo INESQUECÍVEL aos olhos de quem o conheceu, e não apenas para aqueles que, como nós, o amavam. Amamos, porque o amor não precisa morrer.
Percebi então que não poderia deixar de falar de sua vida pública, uma vez que o amor à Justiça estava na sua essência, em sua alma, algo que Ditadura alguma poderia lhe roubar.
De fato, recordando momentos de um delicioso convívio familiar, pude perceber que este desejo, esta paixão, estava presente em quase todas as suas atitudes, especialmente no convívio com os mais humildes. Ele genuinamente se importava com o que acontecia às pessoas ao seu redor, algo que frequentemente propiciava alívio aos pobres que tinham a sorte de cruzar o seu caminho, mas que, por outro lado, lhe causava dor e sofrimento. Não suportava a ingratidão, que lhe doía tal qual um punhal no peito.
(...)
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Dicas Úteis
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Não
havendo vítimas, sequer com ferimentos leves (contusões,
pequenas fraturas, cortes, etc.), não há necessidade de
chamar auxílio da polícia, nem de perícia
técnica. Anote a placa do veículo, dados pessoais do
outro motorista e procure por testemunhas que estejam dispostas a lhe
fornecer o telefone, caso seja necessária ação
judicial. Se os veículos estiverem atrapalhando o trânsito,
providencie a remoção tão logo possível.
Para atender às exigências de seguradoras, faça o
Boletim de Ocorrência na Delegacia da Polícia Civil mais
próxima do local, de preferência em até 48 horas.
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